O curso me ajudou muito pouco.
Antes de mais nada, a verdade é que eu não tenho críticas duras a ele. Nunca fui desses que matam aula no corredor para criticar o professor que está dentro da sala dando aula. Mas também nunca fui daqueles que só ficavam na sala de aula, e não matavam aula no corredor. Quer dizer, tudo pode sempre ser melhor. Sempre. Mas vejamos bem: os laboratórios são muito bons, boa parte dos professores está disposta a ensinar e apresentar um outro ponto de vista do mercado e da vida - o que eu conidero ser a principal função deles. Os bons profissionais do mercado local se formaram na FURB e conheço alguns bons exemplos de pessoas que têm se dado bem pelo mundo, exercendo a nossa profissão de amplas oportunidades. Detalhes aqui e acolá poderiam ser melhorados, atualizados e melhor formatados. Mas não é esse meu ponto.
A questão é que em todo e qualquer questionamento sobre como foi a passagem do curso de P&P pela minha vida tento sempre exercitar a retórica e jogo contra mim mesmo a pergunta: como foi a MINHA passagem pelo curso?
Hoje coordeno a setor de Canais na área de Criação da agência LiveAd - que em 2009 foi a primeira agência brasileira a ganhar Leão de Ouro em Cannes na categoria de PR -, trabalhando para clientes como Brastemp, Souza Barros, Nike, Oi, Lacoste e Globo. Já passei pela Espalhe, agência especializada em Marketing de Guerrilha, na área de redes sociais. Pra não passar em branco minha primeira experiência ganhando dinheiro com mídias sociais, em 2007 toquei com uma galera o Blog da Oktoberfest, iniciativa pioneira no estado de Santa Catarina no uso de redes sociais para divulgação de um evento. Essa uma oportunidade que eu consegui dentro da faculdade.
Um currículo que não necessariamente brilha como ouro. Mas também não tenho motivos para me queixar. Nem meus chefes, nem meus subordinados. Sou feliz. Tanto com o que conquistei como com o que posso conquistar daqui pra frente.
O ponto onde quero esbarrar com vocês é na tentativa de explicar que a faculdade não me levou para lugar nenhum - e não leva ninguém para lugar qualquer. O ponto está em até onde eu consegui me levar, usando a faculdade como instrumento e caminho. Uma tentativa de alongar o debate sobre a primeira frase desse texto, que a primeira vista choca e que pode levar todo esse meu longo argumento pelo ralo, caso as pessoas não queiram nem seguir pelo segundo páragrafo do papo.
Mas tudo bem. Esse é um desabafo também sobre arriscar-se e experimentar. É o que eu vou fazer. Para reforçar então: o curso me ajudou muito pouco. Confesso pela segunda vez.
Formei-me na FURB em 2007. Em Blumenau trabalhei como asistente de arte em algumas empresas e agências pequenas. Serviços medíocres, no meu (e no de muita gente) ponto de vista. Como que imerso numa psicodelia de variadas cores, no final daquele ano conheci o Marketing de Guerrilha, que me abriu as portas da percepção publicitária. Decidi que trabalharia com isso, nem que precisasse vir a São Paulo para fazê-lo - o que acabou acontecendo em março de 2008. Naqueles meses morei durante os tempos vagos na biblioteca, pesquisando todo e qualquer tema relacionado. Nos dois últimos semestres faculdade me dediquei com todas as forças ao meu TCC sobre o tema, que me rendeu um dez e um primeiro contato com o mercado publicitário de inovação em São Paulo através de um blog que criei para relatar minha monografia (tccdeguerrilha.blogspot.com).
E aí eu me pego pensando onde eu estaria se aproveitasse melhor o curso, algo que só fiz no último ano dentro da FURB.
Quer dizer, hoje eu vivo bem, tenho um emprego legal e passei por lugares bacanas em que sonhei trabalhar. Desisti de servir à grandes agências por simplesmente não acreditar no modelo de negócio falido que elas representam. Uma heresia para alunos de publicidade, escolha que poucos profissionais arriscam, praticamente um "anti-sonho". Cheguei a conclusão de que existe felicidade em agências e empresas que no seu nome não trazem siglas, números ou barras representando grandes fusões, muitas sifras e a profusão de burocracias e barreiras para o novo, para o diferente.
Mas fica aquela coçeira atrás da orelha ao olhar para trás. Que tipo de Planejador seria se tivesse aproveitado melhor as aulas do Venilton, por exemplo? Reprovei na matéria dele. Por pura vagabundagem. Dediquei-me com afinco no Projeto Experimental e na minha segunda passagem pela matéria de Planejamento. Cheguei até passar pela monitoria do laboratório de criação como bolsista, em 2006, sem nenhum destaque a ser feito. Mas fico pensando o que seria de mim se tivesse prestado mais atenção (ou alguma atenção!) às aula de Teoria da Comunicação, Sociologia, Filosofia e Psicologia, temas que abundam na grade de matérias da pós que pretendo fazer sobre Psicologia Social assim que o tempo me deixar. Se tivesse tirado mais fotos, se tivesse gravado mais spots e jingles. Se tivesse levantado mais o dedo e matado menos aula.
A verdade que tento me convencer para não ficar nostálgico de mais e poder resumir esse agora-já-quase tratado de um saudoso é que no cintilar da nossa imaturidade juvenil pouco temos noção do quão importante é arriscar e ousar. E de como a faculdade permite isso. Mesmo com a presença das notas assombrando o final do semestre, que à primeira vista podem parecer o método mais cruel de censura da experimentação, existem caminhos limpos e e belos para aproveitar o curso como a ferramenta que liberta e que - veja você! - ensina.
Para concluir, se fosse para dar uma dica aos colegas do curso que agora estão na FURB eu diria: errem muito na faculdade. Experimentem, criem, produzam, errem, aprendam. Fuçem, leiam, cliquem, criem, experimentem e errem. Errem, errem, errem. Façam isso enquanto o mercado não "enquadrada" vocês com as exigências de resultado, com as metas por bater, com as verbas a gerenciar. Façam o nome de vocês já dentro do curso, e usem o próprio curso para moldar o nome de vocês no mercado. Tudo isso fazendo muitas cagada!
Não espere que o curso seja bom para você. Ou que ele te ajude em algo. Seja bom para você e use o curso para isso. Assim você será bom para sua vida, que no final é o que importa.
Boa sorte!
Ariel Gajardo
twitter.com/arielgajardo
arielmgm@gmail.com (pode escrever pra mim se quiser. Vai ser muito bom conversar com quem leu meu texto).
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Com a palavra, Ariel Gajardo. - P&P 2007
Postado por REPÚBLIKA às 10:46
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1 comentários:
É verdade...
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